Num livro recente, David Orr, investigador na área do ambiente·, aponta “a rápida reformulação de prioridades humanas necessária para salvar o planeta do aquecimento global” [i].O autor sublinha a necessidade de mudanças radicais de comportamento, de natureza colectiva, para evitar uma catástrofe climática global, e o pouco tempo de que dispomos para concretizar aquilo que parece desde logo impossível, mas que se julga indispensável conseguir. Orr ordena em três categorias as transformações radicais que entende serem necessárias. A primeira, que respeita às transformações que o autor considera de menor grau de dificuldade, seria a redefinição das infra-estruturas de produção de alimentos, de energia, de água e outros bens, de forma a que assentem exclusivamente na utilização de fontes renováveis. A segunda categoria diz respeito à reformulação e actualização dos sistemas educativos de forma a desenvolver a literacia ecológica e a criatividade, ao serviço da resolução de problemas concretos da vida real. A terceira e última categoria é “a reforma dos nossos sistemas políticos” pela substituição das “plutocracias corporativas actuais” por “verdadeiras democracias com dirigentes reais

[i] cf. Recensão do livro do autor citado, assinada por Robert Costanza in “Nature” 461,pp.174-175, Setembro 2009