Homenagem a Ernest Rutherford — “pai da Física Nuclear” — no centenário da descoberta do modelo atómico que o celebrizou

Em Março de 1911, Ernest Rutherford, um dos maiores vultos da Física de todos os tempos, profere na Sociedade Literária e Filosófica de Manchester, em cuja universidade detinha a cadeira de Física, uma palestra cujo conteúdo veio afirmar-se um marco principal na caminhada do Homem para o conhecimento da natureza. Tratou-se da demonstração pela experiência de um aspecto fulcral da arquitectura interna do átomo: a existência de um núcleo de dimensões quase pontuais (10 mil a 100 mil vezes inferior às do próprio átomo), núcleo onde se concentra toda a carga eléctrica positiva que o átomo contém. As conclusões de Rutherford vieram contrariar o modelo atómico defendido por J.J. Thomson, que na altura dirigia o Cavendish Laboratory em Cambridge. O modelo de Thomson assentava numa distribuição uniforme da matéria atómica no volume do átomo o que as descobertas de Rutherford vieram a por em causa.

 

Homenagem a Abu Ali Hasan Ibn al-Haitham 

 

"Ibn al-Haytham is universally acknowledged to be one of, if not, the most creative scientist Islamic civilization had ever known.  He did not only critique the inherited Greek theories of light and vision, in his ‘Book On Optics’, and managed to create his own experimentally tested theories to replace them, thereby ushering the first building blocks for the modern understanding of how human vision takes place, but also subjected Greek cosmological doctrines in his other book "Doubts Against Ptolemy", to a most devastating criticism that managed to undermine the very foundations of those doctrines, thereby initiating a sustained program of research to replace them; a program that lasted for centuries after him and culminated with the ultimate overthrow of the Aristotelian universe and the birth of the modern astronomy of the European Renaissance."
Professor George Saliba of Columbia University, New York City, USA
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

“O dever do homem que investiga os escritos de cientistas, se tem como propósito chegar à verdade, é colocar-se a si próprio como opositor de tudo o que lê, e dele duvidar por todas as formas. Deve igualmente suspeitar de si mesmo ao examinar criticamente o que lê, de forma a evitar quer o preconceito quer a complacência.”

 

Ibn al-Haytham (latinizado: Alhazen)

(n.965, Basra, Iraque; m.1040, Cairo, Egipto)

 

 

 

 Image source: Typ 620.47.452, Houghton Library, Harvard University

Einstein: A propósito da degradação do “Homem Científico” [1]

“Evidentemente, não considero automaticamente como homem de ciência, aquele que sabe servir-se de instrumentos e de métodos considerados científicos. Penso unicamente naqueles cujo espírito se revela verdadeiramente científico.

No momento presente, que posição ocupa o homem de ciência no corpo social da humanidade? Em certa medida, pode felicitar-se pelo facto de o trabalho dos seus contemporâneos, ter, mesmo de forma muito indirecta, modificado a vida económica dos homens, ao eliminar quase completamente o trabalho muscular. Mas, ao mesmo tempo, é desencorajado pelo facto de os resultados das suas investigações terem trazido consigo uma terrível ameaça para a humanidade. Pois os resultados das suas investigações foram recuperados pelos representantes do poder político, esses homens moralmente cegos.  Ele depara-se também com a realidade da terrível concentração económica engendrada pelos processos técnicos a que as suas investigações deram origem. Ele descobre então que o poder político, criado sobre essas bases, pertence e uma ínfima minoria que comanda completamente à vontade uma massa anónima, crescentemente privada de toda e qualquer capacidade de reacção. Este outro facto ainda mais terrível impõe-se-lhe ao espírito. Uma tal concentração de poder político e económico nas mãos de um número tão restrito de pessoas traz consigo não só a dependência material exterior do homem de ciência como ao mesmo tempo ameaça a sua existência profunda. Com efeito, essa concentração de poder, com o estabelecimento de técnicas refinadas para exercer uma pressão intelectual e moral, impede o aparecimento de gerações novas de seres humanos de valor, mas independentes.