O Homem na Terra

Nesta secção encontra artigos sobre as ameaças globais que põem em risco a sobrevivência de espécie humana, como parte da natureza, no quadro dum progressivo esgotamento de recursos naturais indispensáveis à vida.

A água: parente pobre no encontro de Marraquexe

Em Dezembro de 2015, realizou-se em Paris, a COP21 ― conhecida por 21ª Conferência dos Estados subscritores da convenção da ONU sobre as alterações climáticas. A Conferência focou sobre ela a atenção do mundo na esperança de que todos os países se comprometessem a lutar de forma eficaz contra o aquecimento do planeta. Marrocos, chamado a acolher a edição seguinte da conferência, tinha então assegurado que faria da água uma das suas prioridades e que este recurso ― questão principal, principal desafio e principal vítima das alterações climáticas ― seria mais seriamente tido em conta nas negociações a ter lugar.

O artigo que se segue foi escrito em Dezembro de 2016 e nele são referidos os seus autores entre os quais Medhi Lahlou, há muitos anos ligado à Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos. Mehdi Lahlou é o actual Presidente da ACME-Maroc―Association pour le contrat mondial de l'eau. Professor do INSEA-Institut national de statistique et d'économie appliquée. Mehdi Lahlou é membro fundador da Coligação Mundial contra a Privatização e o Comércio da Água

A OTC agradece a autorização para a reprodução deste artigo.

 

Marrakech : eau, COP et khettaras

L’an dernier à pareille époque à Paris, la COP21 ― autrement dit la 21e Conférence des États parties à la Convention de l’ONU sur les changements climatiques – avait focalisé sur elle l’attention du monde dansl’espoir que tous les pays s’engagent à lutter efficacement contre le réchauffement planétaire. Le Maroc, appelé à héberger l’édition 2016 de la Conférence avait alors assuré qu’il ferait de l’eau l’une de ses priorités et que cette ressource ­ "principal enjeu, principal défi et principale victime des changements climatiques" ­ serait davantage prise en compte dans les négociations.

Long de 1100 kilomètres dans le sud du pays, le Drâa est le plus long fleuve du Maroc (Fotolia)

 

A ÁGUA E OS CONFLITOS

Josette Rome-Chastagnet

Federação Mundial do Trabalhadores Científicos

 

O mundo enfrenta um enorme desafio: o da urgente redefinição da relação da humanidade com o planeta.

Difundir a consciência desta situação através do conhecimento, permite desmontar ideias preconcebidas, respostas simplistas, e identificar obstáculos que impedem outras análises e soluções.

Aqui reside a meu ver a importância do nosso encontro.

Agradeço-vos, pois, a vossa curiosidade.

A água é o primeiro espelho do homem que pensa.

A água é uma questão social desde que existem grupos humanos: o poder de decisão no que respeita à propriedade, ao acesso e uso da água é uma questão fundamental. Quem detém e controla esse poder, domina a manutenção da vida sob todas as suas formas.

É por isso que a questão da água é uma questão estratégica planetária.

 

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE CATÁSTROFES NATURAIS E O PAPEL DA COMUNIDADE CIENTÍFICA E DOS DECISORES POLÍTICOS

Mourad Bezzeghoud

Os fenómenos naturais extremos

         Os fenómenos naturais extremos (como furacões, tornados, cheias, secas, erupções vulcânicas, sismos e tsunamis) fazem parte do quotidiano do nosso planeta e têm capacidade para devastarem repentinamente qualquer zona do planeta, comprovando assim a nossa vulnerabilidade e debilidade. Nas últimas décadas, milhões de pessoas perderam a vida em consequência destes desastres. Estes riscos suscitam justificadas preocupações na população e configuram uma ameaça para o ambiente. As acções específicas a tomar a fim de prever, avaliar, gerir e reduzir os impactos dos riscos na nossa sociedade dependerão da natureza do risco específico em causa. As estatísticas demonstram um aumento significativo do número de catástrofes, da sua intensidade e do nível de danos provocados. A intervenção dos poderes públicos requer o melhor conhecimento científico e técnico nas várias áreas de intervenção. As recentes estimativas das Nações Unidas apontam para que, nos próximos anos, estas catástrofes provoquem, perdas médias anuais superior a 100000 vidas e custos que superam os 250000 milhões de euros.

Réplica de um antigo sismógrafo chinês da Dinastia HAN (25-220 d. C.). Fotografia tirada em uma exposição do  Chabot Space & Science Center, de Oakland, na Califórnia.

Em 132 d.C., após vários sismos terem ocorrido na china, o astrónomo Zhang Heng inventou este instrumento para avisar o povo do próximo abalo. Quando a terra tremia, um pêndulo movia-se no interior da jarra. O pêndulo accionava uma alavanca que levava a abrir-se a boca de um dos dragões que se vêem na imagem.  Uma esfera rolava então para o exterior indo cair na boca do sapo correspondente ao dragão, fazendo soar um alarme. A boca aberta do dragão apontava na direcção do abalo. A informação era transmitida ao, imperador.

Atribuição: Por en:user: Kowloonese (en:File:EastHanSeismograph.JPG) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) undefined CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/)], undefined

Dia Mundial da Água — 22 de Março de 2012

A água é um bem escasso. Milhares de milhões de seres humanos sofrem de grave carência de água potável. As condições de vida, a esperança de vida e as perspectivas de um futuro de paz e de bem-estar dessa enorme massa depende de alterações radicais nas sociedades actuais dominadas por interesses egoístas que aparentam não dar conta da iminência do desastre global para onde conduzem o mundo por acção e omissão.

A água é um bem público e como tal tem de ser considerada por quem vê o nosso mundo — parafraseando Saint Exupéry — como “ a Terra dos Homens”. De todos nós.

 

 

A origem da água

A água é insubstituível, essencial à vida e a todos os processos naturais, estruturante da habitabilidade dos territórios e recurso indispensável a quase todos os sectores produtivos. Dependem da água: abastecimento humano, saneamento, higiene, agricultura, pecuária, energia, indústria transformadora e extractiva, floresta, vida selvagem, ambiente, pesca, aquacultura, navegação, paisagem, lazer, turismo, saúde, jardins, extinção de incêndios ....