The WFSW Appeal for an urgent, fair and solidary energy transition

The right to energy is a fundamental right for all human beings and all populations of the earth.

COP21, by the solemn act of 196 countries, gave birth to a great hope in the face of the gravity and urgency of the world climate situation. To fulfil this hope acts must be worthy of the challenges, in particular, we must put an end to the use of fossil energies as soon as we can. For this purpose, we must use financial mechanisms appropriate to the needs and situations of different countries.

The energy transition cannot be carried out with the necessary speed, responding to social and environmental needs, as long as this transition is a prisoner of a market in the hands of financial capitalism.

The WFSW puts forward the demand that we move from competition to solidarity and cooperation in the energy field.

The energy transition cannot be carried out for the benefit of all human beings without a coordinated international program, accompanied by a mechanism making it possible to take into account the needs of populations.

The WFSW calls upon her affiliated organizations to mobilize:

A.   About research:

1.  To build major research programs on new sources of energy, on the means and methods of energy-saving and more broadly on the energy transition.

2.   To condemn present research policies directed mainly to satisfy the requirements of multinational companies and support the competitiveness of territories subjected to extreme economic competition caused by free trade agreements.

B.    To carry out the energy transition:

1.To implement the complementarity between different sorts of energies, in an organized way, on the basis of the needs and resources of different countries.

2.   To establish scientific, technological, and financial cooperation between the nations of the North and the South.

3.   To set up an international agency for energy transition, the purpose of which is to collect funds and to organize the energy transition at the international level, including major research programs.

In particular, to finance the energy transition, the WFSW asks the affiliated organizations to mobilize in order to:

  Engage a rapid process of ending subsidies to fossil energies, with the necessary international aid and the transfer to the development of renewable energies.

  Set up taxation on financial transactions and a 1% tax on the fortunes of billionaires, as recommended by the UN (UNCTAD report)

 •  Transfer a large part of military budgets to the energy transition.

•  Keep the promise of a contribution by rich countries to the Green Climate Fund, totaling at least $100 billion per year, the figure indicated in the Cancun Declaration (2010).

The WFSW will present all the above proposals to the concerned bodies of the UNSystem, and will promote them to international NGOs and international and regional trade union federations and confederations.

Minsk, September 2016

ENERGIA: RECURSOS ENERGÉTICOS

EXPLORAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS NÃO CONVENCIONAIS


 
No mundo conturbado em que vivemos — instável, e em transição para um futuro não claramente definido, cujos contornos é difícil antever com segurança — levantam-se questões de natureza global de que importa tomar consciência para que se torne possível a procura de soluções viáveis e socialmente aceitáveis. Tais soluções só poderão encontrar-se percorrendo os caminhos que a ciência e as tecnologias nos oferecem e vão abrindo à nossa frente. Há que escolher os caminhos porque nem todos levam a bom porto.

A energia é uma dessas questões de incidência global. Como o são, o acesso à água ou a produção de alimentos. Vendo bem, todos eles estão ligados entre si, mais estreitamente nuns casos, menos em outros. Está na nossa vocação de associação de Trabalhadores Científicos que se querem socialmente responsáveis chamar a atenção para estas questões e trazê-las para a boca de cena. Trabalhá-las e divulgá-las. No dealbar do século XXI, nos dias de hoje, a maior contribuição para satisfazer os consumos de energia do mundo é dada pelos combustíveis fósseis: petróleo, carvão e gás natural. Estas três fontes em conjunto satisfazem mais de 80% do consumo total, sendo que o petróleo vem à cabeça, com cerca de 34% desse consumo, seguido pelo carvão, com 27%, e do gás, com cerca de 21%.

 

 

 Sobre a proposta: "Congelar a extracção de combustíveis fósseis para travar crimes climáticos"

(English version here)

“Freeze fossil fuel extraction to stop climate crimes”

Frederico Carvalho

Serão as conclusões da próxima Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, COP 21, que terá lugar em Paris, dentro de um mês [1], de molde a dar resposta e aliviar a fundadas preocupações de um grande número dos nossos concidadãos, legitimamente preocupados com a sustentabilidade da vida nesta nossa casa comum ― o planeta Terra, ameaçado pelo esgotamento acelerado dos seus recursos naturais?

Alterações climáticas e o aquecimento global, estão no primeiro plano de tais preocupações. É hoje geralmente aceite que as emissões de origem antropogénica dos chamados gases de efeito estufa, são um factor determinante das alterações que, em termos estatísticos, se vêm verificando nas propriedades do sistema climático da Terra, ressentidas no período relativamente curto de um século e meio.

 

Vandana Shiva"We will either make a democratic transition from oil to soil or we will perish. The poor, the weak, the excluded, the marginalized are threatened today. In the short term, we can continue to extend the profits and consumerism of the privileged by further dispossessing the poor. But tomorrow even the rich and the powerful will not be immune from Gaia’s revenge and the revenge of the billions of dispossessed. We will either have justice, sustainability, and peace together or we will descend into ecological catastrophe, social chaos and conflict.”

“Tratado sobre os Princípios Que Regem as Actividades dos Estados na Exploração e Utilização do Espaço Exterior, Incluindo a Lua e Outros Corpos Celestes”

Frederico Carvalho

A questão da utilização para fins pacíficos do espaço exterior,como princípio geral, e, em particular, a de uma possível colonização do satélite natural da Terra e do aproveitamento dos seus recursos minerais ou energéticos, por interesses privados, colocam-se hoje com particular acuidade e devem ser merecedores de atenção. Por outro lado, a utilização do espaço exterior com propósitos militares para fins agressivos é, desde há quase meio século, objecto de preocupação por parte das instâncias internacionais às quais cabe ter uma palavra sobre o futuro das comunidades humanas, a cooperação entre Estados e a defesa da Paz. Importa relevar em primeira linha o papel da Organização das Nações Unidas, através da sua “Comissão sobre as Utilizações Pacíficas do Espaço Exterior” cujos trabalhos conduziram à Resolução adoptada pela Assembleia Geral, reunida em sessão plenária, em 19 de Dezembro de 1966. Nessa Resolução é recomendada a formalização de um tratado que veio a receber o nome de Tratado sobre os Princípios que Regem as Actividades dos Estados na Exploração e Utilização do Espaço Exterior, incluindo a Lua e Outros Corpos Celestes.

As disposições do Tratado foram negociadas pelos Estados Unidos da América e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Estava-se em plena “guerra fria” período em que os referidos estados possuíam, no essencial, o monopólio da arma nuclear e dispunham de capacidades técnicas que se equivaliam, no domínio espacial. Foi assim que se chegou a um acordo, designadamente sobre o impedimento que o Tratado estabelece de colocação em órbita de armas nucleares. 

Num livro recente, David Orr, investigador na área do ambiente·, aponta “a rápida reformulação de prioridades humanas necessária para salvar o planeta do aquecimento global” [i].O autor sublinha a necessidade de mudanças radicais de comportamento, de natureza colectiva, para evitar uma catástrofe climática global, e o pouco tempo de que dispomos para concretizar aquilo que parece desde logo impossível, mas que se julga indispensável conseguir. Orr ordena em três categorias as transformações radicais que entende serem necessárias. A primeira, que respeita às transformações que o autor considera de menor grau de dificuldade, seria a redefinição das infra-estruturas de produção de alimentos, de energia, de água e outros bens, de forma a que assentem exclusivamente na utilização de fontes renováveis. A segunda categoria diz respeito à reformulação e actualização dos sistemas educativos de forma a desenvolver a literacia ecológica e a criatividade, ao serviço da resolução de problemas concretos da vida real. A terceira e última categoria é “a reforma dos nossos sistemas políticos” pela substituição das “plutocracias corporativas actuais” por “verdadeiras democracias com dirigentes reais

[i] cf. Recensão do livro do autor citado, assinada por Robert Costanza in “Nature” 461,pp.174-175, Setembro 2009