1. Em 4 de Fevereiro último é publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros, que nomeia o novo Conselho Directivo da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sob proposta do Ministro das Finanças, Mário Centeno, e do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor (Resolução n.º 4-C/2016, Diário da República, 2.ª série — N.º 25 — 5 de Fevereiro de 2016).

O novo Conselho Directivo vem substituir o que fora presidido por Miguel Seabra até Abril de 2015 que invocou renunciar ao cargo por “razões pessoais”.Tornou-se assim necessário, como explica a Resolução n.º 27/2015, de 16 de Abril, “proceder à nomeação de um presidente para o referido órgão, para completar o mandato em curso, correspondente ao triénio 2013-2015, que termina no dia 31 de Dezembro de 2015.”

A escolha recaiu sobre Maria Arménia Carrondo, que veio a assegurar as funções de presidente entre 7 de Abril e 31 de Dezembro de 2015, data em que, nos termos da lei, cessou o mandato de todos os então membros do Conselho Directivo.

Entretanto, muita coisa se passou até à posse do novo Conselho Directivo, presidido por Paulo Ferrão, actualmente em funções.

Dessa muita coisa é dada notícia a público em 2 de Fevereiro de 2016, em nota onde se informa que a nomeação do novo Conselho “(…) culminou um processo inédito em Portugal de discussão pública (…)” explicando que “esse processo (iniciado em Dezembro de 2015)incluiu a auscultação de um vasto leque de membros e instituições da comunidade científica e do ensino superior, nomeadamente o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o Fórum dos Laboratórios de Estado, os Conselhos Científicos da FCT, representantes dos sindicatos, dos estudantes e dos investigadores”. Acrescenta ainda a nota que o processo “(e)nvolveu ainda a constituição de um Grupo de Reflexão dedicado a estimular a discussão pública, reflectindo sobre as orientações que devem presidir ao futuro próximo da FCT[1]  . Seguem-se notas curriculares pormenorizada dos membros do Conselho Directivo empossado pelo Ministro Manuel Heitor. Da auscultação da comunidade científica resultou, segundo se afirma, “um conjunto diversificado de contributos quanto aos pressupostos e aos princípios que devem orientar a estratégia da FCT[2]  .

 
 
TEMPOS DIFÍCEIS
In memoriam 
 

No edifício histórico da Reitoria da Universidade do Porto, situado naPraça de Gomes Teixeira, reside a memória de muitos trabalhadores científicos que, pelas ideias e pela acção, marcaram a sociedade em que vivemos. Destacam-se de entre esses uma plêiade de intelectuais progressistas vítimas da perseguição implacável do chamado Estado Novo. Quem hoje passe pela frontaria do belo edifício, poderá ver os seus nomes inscritos numa placa que os recorda, singela homenagem a esses e a muitos outros professores ou investigadores que incomodavam a ditadura.

 

Segue-se a lista dos nomes inscritos na placa.

HOMENAGEM
AOS DOCENTES E INVESTIGADORES
DEMITIDOS
DAS UNIVERSIDADES PORTUGUESAS
PELO ESTADO NOVO
 

 

Muitos outros trabalhadores científicos
foram impedidos de aceder às Universidades Portuguesas por razões políticas, afastados dos seus centros de investigação, proibidos de ingressar nos respectivos quadros docentes,
perseguidos e forçados ao exílio.

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