Credit: Bulletin of the Atomic Scientists

(WAR AND PEACE - English Version)

“It is still three minutes to midnight Date: January 26, 2016”
2016 Doomsday Clock Statement Science and Security Board Bulletin of the Atomic Scientists

“(…)world leaders continue to fail to focus their efforts and the world’s attention on reducing the extreme danger posed by nuclear weapons and climate change. When we call these dangers existential, that is exactly what we mean: They threaten the very existence of civilization (…)”

Alerta Geral para o Perigo de Guerra Mundial

Frederico Carvalho

No discurso de despedida de Dwight Eisenhower ao povo americano, em 1961, o presidente alertava para a nova realidade da “existência de um imenso complexo militar e uma poderosa indústria de armamentos” na América. Acrescentava que os Estados Unidos “despendiam com a segurança militar mais do que os resultados líquidos de todas as corporações dos EUA”. Sublinhava a necessidade de “entender (…) as graves implicações” dessa realidade na própria estrutura da sociedade norte-americana, e fazia notar que os círculos governantes “têm que se precaver contra o crescimento de uma influência injustificada, deliberada ou não, do complexo militar-industrial. Os riscos de um potencial crescimento desastroso são reais e persistirão”. O controlo avassalador dos media pelos círculos de interesses dominantes, particularmente eficaz na maioria dos estados mais poderosos, impede o cidadão comum de ter uma percepção correcta da dimensão dos perigos que pendem sobre o futuro da humanidade nestes dias em que o mundo assiste a uma nova corrida aos armamentos.

O complexo militar-industrial é em si mesmo, neste contexto, uma força impulsora poderosa já que se dá naturalmente bem num ambiente de conflito permanente, vendendo os seus produtos a amigos e inimigos com igual boa consciência. Entretanto, o investimento mais lucrativo requere a identificação de um inimigo poderoso. No mundo multipolar dos nossos dias o velho poder unipolar ― os Estados Unidos, autoproclamada nação excepcional e indispensável ― não pode prosperar sem um inimigo conveniente.

Os cinco Estados que em 2015 registaram as maiores despesas militares, foram os EUA, a China, a Arábia Saudita, o Reino Unido e a Rússia. A despesa militar dos Estados Unidos foi, em 2015, quatro vezes superior à da China. A despesa militar per capita foi, contudo, não quatro mas 17 vezes superior.

 

   SOBRE AS ARMAS QUÍMICAS

Frederico Gama Carvalho

 Passou em Janeiro de 2013, o vigésimo aniversário da data em que foi aberta a assinatura a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Armazenamento e Utilização de Armas Químicas e sobre a sua Destruição. Abreviadamente designada por Convenção sobre as Armas Químicas, a Convenção é fruto de um acordo intergovernamental, negociado no seio da chamada “Conferência para o Desarmamento”, organismo criado em 1984, exterior ao sistema das Nações Unidas mas reconhecido por esta. O texto da Convenção foi presente e aprovado pela Assembleia Geral da ONU, em 1992 (1). A entrada em vigor ocorreu em Abril de 1997, após assinatura e subsequente ratificação por 65 estados. Antes dessa data já muitos estados haviam assinado a Convenção mas o número mínimo de ratificações só foi atingido naquela data. Os estados, à altura, não signatários, puderam, a partir de então, fazer uso do instrumento dito de “acesso” com efeitos idênticos à ratificação, sem pressupor assinatura prévia.