Chafariz d’el Rey, c.  1570-80, Anónimo, pintura flamenga. Óleo sobre madeira (reprodução parcial)
The Berardo Collection, Lisbon, Portugal

“ Lisboa é grande cidade de muitas e desvairadas gentes” (Fernão Lopes, Século XV)

A obra de Arlindo Manuel Caldeira, “Escravos em Portugal. Das Origens ao século XIX” (Ed. A Esfera dos Livros, 1ª edição, Março de 2017), é de leitura obrigatória para quantos queiram conhecer e se reconhecer no Portugal dos nossos dias. Citando Rómulo de Carvalho, “em cada instante está presente o passado e o futuro de todas as coisas”. A longa e trágica história da escravidão naquele que é hoje o território nacional e naquelas parcelas espalhadas pelo mundo onde os portugueses assentaram raízes e governaram durante séculos, é contada ao leitor com simplicidade, de forma atraente, por vezes emocionante, sem cedências ao rigor que se deve manifestar em qualquer trabalho científico. O livro é fruto de um longo trabalho de pesquisa atestado por um manancial de notas devidamente organizado, indicação de fontes e bibliografia citadas no texto. São sessenta páginas inseridas no final do livro, que são outras tantas janelas abertas ao leitor interessado em ir mais longe na exploração das pistas que a obra sugere.