otc-Organização dos Trabalhadores Científicos 

Rua Capitão Ramires, 6-4ºF  1000-085 Lisboa, Portugal
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PROPOSTA DE ORÇAMENTO PARA 2016

 

 

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RELATÓRIO E CONTAS DO EXERCÍCIO DE 2015

Em cumprimento do disposto no Artº 10º, alínea c) dos estatutos da OTC, a Direcção submete à apreciação da Assembleia Geral, o Relatório de Actividades e as Contas respeitantes ao ano de 2015.

 

 

"As Ciências Matemáticas e as Ditaduras no Século XX - A Europa Ocidental, Portugal, e as suas Conexões Atlânticas”

Conferência internacional

Lisboa, 10―12 Dezembro

No ano em que passam 75 anos sobre a sua fundação, a Sociedade Portuguesa de Matemática, promove a realização em Lisboa de uma conferência que aborda um tema de relevante importância: a convivência da Ciência e dos seus agentes mais directos, professores e investigadores, com os regimes ditatoriais que vigoraram na Europa e, em particular no nosso país, no correr dos segundo e terceiro quarteis do século passado, de cariz fascista ou fascizante, parceiros da ditadura genocida nazi dos anos 30 e 40.

A Ciência e as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores científicos, sempre, em qualquer parte do mundo, sofreram a influência dos regimes sócio-políticos instalados. Essa influência, por vezes benigna mas em muitos casos maligna ― restringindo a liberdade de pensamento e expressão, subordinando o ensino e a investigação aos interesses dos poderes e grupos dominantes ― continua a fazer-se sentir nos nossos dias. Essa é uma razão mais que justifica cultivar a memória histórica de tempos difíceis e daí procurar ensinamentos para o futuro.

Esta conferência é bem-vinda e os seus organizadores prestam, com a sua organização, um serviço valioso à sociedade em geral, e, desde logo, aos trabalhadores científicos nossos contemporâneos.

Toda a informação disponibilizada sobre a Conferência pode ser encontrada aqui.

 
 

“Fuga de Cérebros – retratos da emigração Portuguesa qualificada”

Rui Machado Gomes (coordenador), Bertrand Editora, 2015

“Fuga de Cérebros” é um livro de testemunhos individuais de protagonistas de um dos fenómenos mais perturbantes da sociedade Portuguesa contemporânea: a emigração qualificada. Estes migrantes são indivíduos entre os 25 e os 34 anos de idade oriundos do sistema científico ou do ensino superior. Representam porventura uma elite que numa abordagem global poderia ter aspectos positivos se os números do êxodo não fossem tão assustadores. Só entre 2012 e 2013 cerca de 40 000 indivíduos com elevada qualificação académica emigrou para o Reino Unido.  

É um livro que nos incomoda. É um livro que nos magoa. É um livro que nos afirma que não se pode só viver da profissão. É um livro que nos alerta para a falta de respeito das entidades empregadoras em Portugal e para o esvaziamento arbitrário do país em conhecimento e capital humano. É um livro que também nos faz sonhar, esses sonhos de tanta gente que ousou ter expectativas de futuro.

Encontramos neste livro retratos de indivíduos desencantados com a realidade do país. A falta de estrutura laboral e opções profissionais, ou a precariedade da actividade laboral são aspectos que contribuem para uma visão pessimista do país. 

Se alguns rejeitam a mobilidade temporária “Regressar e viver em Portugal para sempre já não é uma opção” ou “Portugal é um sítio óptimo para viver e passar férias mas não é um bom sítio para trabalhar”, outros há que equacionam a volta, “Experimentar Londres e voltar se não gostar” ou a revolta de querer voltar mas não poder porque só se tem possibilidades de emprego e realização profissional noutro país: “ Gostava de voltar para Portugal porque tenho saudades, saudades de tudo”.  

Outros ainda deixam-nos um testemunho perturbador por escamotearem a condição humana em que se encontram “Eu não sou emigrante, sou uma trabalhadora no estrangeiro” ou “trabalho numa bolha internacional”.

Estes testemunhos resultam de um projecto de investigação apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Projecto BRADAMO), coordenado pelo Professor Rui Machado Gomes e que envolve vários centros de investigação das Universidades de Coimbra, Lisboa e Porto.

Esta foi uma iniciativa muito oportuna que desbravou caminhos e deixou um vasto espaço para uma análise mais aprofundada deste fenómeno sociológico que é o êxodo da geração de Portugueses e Portuguesas mais qualificada que Portugal alguma vez já teve.

Teresa Pinheiro

 

 

O lançamento do livro “Fuga de Cérebros - Retrato da Emigração Portuguesa Qualificada” teve lugar a 6 de Outubro último na Livraria Bertrand (Picoas Plaza). O Prof. Viriato Soromenho Marques fez a apresentação do livro, escrito no âmbito do projecto de investigação BRADRAMO - “Brain Drain and Academic Mobility from Portugal to Europe” (PTDC/IVC-PEC/5049/2012). A convite da equipa de investigação responsável pelo projecto, a OTC esteve presente, na pessoa da Doutora Teresa Pinheiro, membro da Direcção.

 

MÊS DA CIÊNCIA 2015

 

O Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA) é uma associação geológica, sem fins lucrativos, que se dedica à divulgação da vulcanologia, da sismologia, da geotermia e dos geoambientes, nomeadamente, os Açores. Além das actividades de divulgação, para o meio escolar e para o público em geral, o OVGA, estatutariamente, insere alguns laboratórios de pesquisa científica, em cooperação com entidades nacionais e estrangeiras. O OVGA insere-se na Rede de Centros de Ciência da Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura.

Neste mês de Novembro de 2015, ano em que comemora também o seu 15º ano de vida, o Observatório, coordenado pelo Prof. Doutor Victor-Hugo Forjaz, leva a efeito um conjunto de actividades inseridas no “Mês da Ciência” conforme se refere na Nota de imprensa que nos chegou:

 Os diversos governos nacionais e regionais têm mantido 24 de Novembro de cada ano como o DIA RÓMULO DE CARVALHO - DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA.

Rómulo de Carvalho, um conhecido e respeitado Professor Metodólogo do Ensino Liceal (…), foi um dos maiores comunicadores nacionais no âmbito das Ciências e distinguiu-se também como poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Nos Açores contava com inúmeros admiradores, desde José Agostinho, o "Sábio das Ilhas", a Frederico Machado, o "Homem dos Vulcões", a Mendonça Dias, o "Homem dos Terramotos", a Telles Palhinha, o "Homem das Plantas" etc., enfim, uma plêiade de intelectuais insulares encaminhados para as suas respectivas especialidades e que a comunicação social consultava sistematicamente.

Este ano o OVGA-Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, um dos nós da Rede de Centros de Ciência patrocinada pela Secretaria da Ciência e Tecnologia do Governo dos Açores, além de comemorar o Dia Rómulo de Carvalho com o lançamento de um livro de vulcanologia, está anunciando diversas outras iniciativas, dirigidas para a população e para visitantes.

Assim, no dia 09 de Novembro, segunda-feira decorre o DIA ABERTO-OPEN DAY, a iniciar pelas 09h30 e a terminar pelas 18h30 (com intervalo de almoço, das 12h30 às 14h00) em que as 2 áreas exposicionais do OVGA estarão abertas, gratuitamente e com a presença de técnicos disponíveis para explicações, esclarecimentos e outras divulgações no âmbito da mineralogia, da petrologia, da paleontologia, dos geoambientes e dos perigos naturais.

Realça-se que no OVGA existem belas colecções de minerais, de rochas e de fósseis de todo o mundo e que ali se encontra uma rara colecção de amostras do Vulcão dos Capelinhos bem como amostras de vulcões de referência, desde a Antárctida à Islândia, do Hawaii ao Japão, etc., etc.

Filmes, fotografias, livros e revistas também estarão ali expostos e até alguns poderão ser adquiridos a preços de impressão.

A segunda actividade de divulgação do OVGA ocorrerá no dia 12, na Ribeira Grande, com o lançamento de uma original carta sobre a costa daquele concelho do norte da ilha de S. Miguel.”

 

Mais informação sobre o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores pode ser encontrada aqui

ZILDA CARVALHO (1938-1995)

In memoriam

Zilda Carvalho deixou-nos em 13 de Outubro de 1995. Virologista, licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, foi co-fundadora e um dos mais activos membros da OTC-Organização dos Trabalhadores Científicos ao longo de vinte anos. Deu uma contribuição empenhada e multifacetada para a actividade, em várias frentes, da nossa associação que deu os seus primeiros passos no já distante ano de 1975. A sua contribuição para o estabelecimento e consolidação de parcerias com associações congéneres, no plano internacional, foi particularmente notável. Zilda Carvalho foi designada coordenadora da Comissão de Mulheres Cientistas da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos, a histórica Organização Não-Governamental em que a OTC se filiou em 1979. Entre nós, no seu país natal, interessou-se muito particularmente pela condição das mulheres trabalhadoras científicas, pelas suas condições de trabalho e de carreira e os obstáculos que se levantam à progressão da mulher cientista numa carreira profissional. Zilda Carvalho possuía características pessoais que lhe permitiam com facilidade ser mediadora de diferenças de postura e opiniões entre pares, um traço que será também motivo para ser recordada. Graduou-se com distinção e louvor em Biomedicina grau que lhe foi atribuído pela Universidade do Porto em 1988. Zilda Carvalho desenvolveu trabalho de investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência a partir de 1969 até ao seu falecimento.

 

Reproduzimos abaixo o original em inglês do texto da comunicação que Zilda Carvalho apresentou no Simpósio Internacional por “Uma Nova Ordem Mundial na Ciência e Tecnologia”, promovido pela Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos, em Dakar, no Senegal, em Novembro de 1992.

(ver aqui o texto em português que foi editado separadamente)

 

Women's involvement in the new world scientific and technological order

 

Paper presented at the international symposium on'A New World Scientific and Technological Order' held in Dakar, Senegal, from 9 to 11 November 1992. Dr Carvalho works at the Institute Gulbenkian de Ciencia in Portugal and belongs to the Organizagao dos Trabalhadores Cientificos. She chairs the WFSW's women's committee.

 Zilda G Carvalho

 Can we envisage a new world order for science and technology without involving women, and women scientists especially? Looking at this gathering, and excluding the colleagues from our Madagascar affili­ate, whom I'm pleased to greet, one is inclined to say yes, as it would appear that their points of view and concerns are compatible with those of the scientific community as a whole, meaning that their contribu­tion is not indispensable.

 

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