Mesa-Redonda

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INVESTIGAÇÃO E INOVAÇÃO RESPONSÁVEIS
Prioridades para uma Ciência libertadora num quadro de desafios globais

Como vem sendo habitual em anos anteriores em idênticas oportunidades, a Assembleia Geral da OTC de 9 do corrente, foi precedida de um debate focado em questões de actualidade que têm a ver com as políticas de Ciência e Tecnologia, os objectivos da actividade e as condições de trabalho dos investigadores, docentes-investigadores e outros trabalhadores científicos. Debate que se procurou fazer num quadro que tendo em conta a especificidade da situação portuguesa e a necessidade de ir ao encontro das necessidades do desenvolvimento económico, social e cultural do nosso país não ignorou o enquadramento internacional e os condicionamentos que envolve, nem os desafios de carácter global que se põem hoje com cada vez mais premência.

 

O debate foi lançado a partir da mesa por um painel de investigadores de larga experiência e interesses e especializações diversificadas. Referem-se pela ordem em que intervieram os colegas António Pedro Alves de Matos, biólogo, Doutor em Microbiologia pela Universidade de Lisboa, actualmente a dirigir o Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM, Caparica, Portugal); Maria Carolina Varela, engª silvicultora, Doutorada, Investigadora Principal (aposentada) do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV); Luís Vicente, Professor Auxiliar com agregação, ligado ao Departamento de Biologia Animal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com uma diversidade de interesses que incluem Biodiversidade, Ecologia e Comportamento Animal mas também História e Filosofia das Ciências; Teresa Pinheiro, doutorada em Biologia e Fisiologia Animal pela Universidade de Lisboa, professora convidada do Departamento de Física e investigadora do Instituto de Biociências e Bioengenharia do Instituto Superior Técnico. Nas intervenções foram sublinhadas ou simplesmente referidas, problemáticas ligadas, designadamente, à perigosa indefinição das fronteiras entre ciência básica, ciência aplicada, técnica e engenharia e os riscos que comporta numa situação em que a multidisciplinaridade e a convivência de métodos e objectivos de trabalho, se mostram indispensáveis para trilhar com êxito caminhos que possam conduzir à solução dos pequenos e grandes problemas que as sociedades humanas enfrentam; a utilização abusiva e frequentemente perversa do critério, igualmente indefinido, de “excelência” como pedra de toque na avaliação de pessoas e projectos; a importância dos laboratórios do Estado e a necessidade da inverter o processo de degradação de meios humanos e estruturas a que se vem assistindo entre nós; a necessidade de construir uma política científica assente numa estratégia concertada com a comunidade científica que tenha em conta as necessidades do país ao mesmo tempo criando oportunidades para a realização de trabalho de qualidade e nível científico reconhecidos e se empenhe no combate à precariedade dos vínculos laborais que hoje afecta muitos milhares de investigadores e outros trabalhadores científicos.

Foi feita referência ao Estatuto do Investigador aprovado em 1974 pela UNESCO, que actualmente se encontra em processo de revisão, salientando-se que as disposições do Estatuto, no essencial e em larga medida, não são aplicadas e mantêm-se actuais.

Considerou-se necessário prosseguir o debate sobre os temas abordados na Mesa-Redonda organizada pela OTC, procurando envolver no processo o maior número possível de interessados.

Julho 2015