Mulheres e Ciência

 

FEDERAÇÃO MUNDIAL DOS TRABALHADORES CIENTÍFICOS

Lançamento de uma reflexão renovada sobre o tema “mulheres e ciência”

“Na Assembleia Geral de Dakar, constatámos dois factos contraditórios: por um lado, as numerosas mulheres, principalmente de África, que participaram no evento com intervenções de alta qualidade; por outro lado, a minoria de mulheres nos órgãos dirigentes da FMTC. Facto sublinhado por várias intervenientes na AG o que levou à introdução de mulheres na presidência das sessões. A eleição do novo comité executivo foi um momento positivo que viu dez mulheres eleitas em vez de duas, como na anterior!

No entanto, na nossa opinião, a questão do lugar da mulher na ciência e na investigação ― que não se limita à igualdade de direitos ― não tem sido suficientemente tida em conta pela nossa federação.

A FMTC, pela sua especificidade, pode fazer uma reflexão original sobre este assunto: os seus afiliados, organizações ou indivíduos, provêm de diversas culturas e áreas geográficas; nem todos são membros de organizações internacionais constituídas por sindicatos, como a International Education (IE), e mesmo aqueles que são efectivamente membros desses grupos podem trazer à FMTC um outro tipo de reflexão diferente daquele que já existe; a FMTC abriu grandes projectos, como o Desarmamento ou as Alterações Climáticas, por isso facilmente os seus filiados farão a ligação entre estes temas e questões que dizem respeito às mulheres, à igualdade e ao equilíbrio de género.

Por todas estas razões, propomos que a nossa Federação lance uma reflexão específica sobre a questão supracitada.

Voluntários, mulheres e homens, são convidados a fazer essa reflexão: trabalhar sobre o assunto “Mulheres e investigação”, não é uma tarefa “feminina”. Propomo-nos focar nos seguintes pontos para formar um primeiro “guião”:

  • Colectar dados estatísticos das nossas organizações filiadas, para ter uma visão mais precisa do acesso das mulheres à investigação (incluindo o sector não académico) e das suas carreiras. O nosso objectivo não será reproduzir estatísticas oficiais, embora sejam de particular interesse ao dar uma visão geral do que está a acontecer em muitos países. O que procuramos é a interpretação das nossas organizações filiadas desses dados e/ou das acções tomadas para obter dados confiáveis dos governos ou instituições.
  • Analisar os obstáculos de origens múltiplas (em particular socioculturais), que podem dificultar ou restringir o acesso das mulheres à investigação científica, à sua evolução profissional (por exemplo: assédio moral ou sexual).
  • Examinar exemplos concretos de sucesso, não para promover excepções, mas para destacar boas práticas e outros caminhos possíveis.
  • Estudar que medidas as nossas organizações filiadas tomam para promover o equilíbrio e a igualdade de género: indo além do que é “politicamente correcto”, gostaríamos de ter conhecimento de acções de campo que visem mudar o ponto de vista sobre as mulheres e transcender meras afirmações sobre a igualdade de género.
  • Preparar propostas originais que a FMTC possa apresentar às suas organizações filiadas, à UNESCO e/ou nos fóruns internacionais em que participa. Estas propostas serão tão relevantes como os outros grandes temas abordados pela FMTC: Paz e Desarmamento, Energia e Clima, Condições de Trabalho.”

Texto aprovado pelo Secretariado Internacional para divulgação junto das organizações filiadas, sobre minuta preparada pelas colegas Dina Bacalexi (SNTRS-França) e Josette Rome Chastanet (Sede-Paris).

 

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