GUERRA E ARMAS BIOLÓGICAS

Unidade multifuncional moderna para análise de agentes biológicos patogénicos em situações de perigo Nuclear-Biológico-Químico (https://rostechnologiesblog.wordpress.com/2015/01/12/)


Vários Factos e Algumas Questões
Frederico Carvalho
Uma contribuição para o Grupo de Trabalho 1 – Paz, Desarmamento e Cooperação
90ª Reunião do Conselho Executivo da FMTC, Marraquexe, 8-12 de Março de 2020

Como foi discutido em artigo anterior[1] submetido ao Grupo de Trabalho 1[2] da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (FMTC), em várias ocasiões no decurso da História têm sido usados agentes biológicos como meio para subjugar ou derrotar um inimigo numa guerra ou aniquilar a resistência legítima de grupos humanos à submissão por uma  força estrangeira. O vírus da varíola e a bactéria Bacillus anthracis são dois exemplos de agentes biológicos que têm sido usados como arma tanto num contexto de terrorismo de estado como por grupos terroristas[3]. Em tempos recentes, um episódio particularmente trágico foi o uso de armas biológicas pelo Exército Japonês contra os Chineses[4].

Edifício no local do complexo de armas biológicas da Unidade 731, em Harbin
©Akiyoshi Matsuoka, Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported

A Unidade 371, na imagem, foi uma unidade secreta de pesquisa e desenvolvimento de guerra biológica e química do Exército Imperial Japonês que realizou experimentação humana letal sobre civis e prisioneiros de guerra incluindo soldados russos e americanos capturados em várias frentes, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), parte da Segunda Guerra Mundial.

O Presidente dos EUA Gerald Ford assina o instrumento de ratificação da BWC em 23 de Janeiro de 1975 (Photo credit: Ford Presidential Library)

Em 1972, a chamada Convenção sobre Armas Biológicas (BWC do inglês Biological Weapons Convention)[5], abreviatura de “Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção e Armazenamento de Armas Bacteriológicas (Biológicas) ou Tóxicas e a sua Destruição”, foi aberta para assinatura a 10 de Abril. A Convenção entrou em vigor a 26 de Março de 1975. Actualmente, 183 estados são Parte da Convenção, um conjunto que inclui todas as principais potências mundiais[6]. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unida são signatários. Deve notar-se que este foi o primeiro tratado multilateral de desarmamento a proibir a produção de toda uma categoria de armas.

Cinquenta anos antes, em 1925, fora assinado em Genebra um Protocolo que proibia o uso de armas químicas e biológicas[7]. O Protocolo de Genebra não proibiu contudo, a posse, produção, armazenamento, transferência ou desenvolvimento dessas armas. Simplesmente proibia o uso de armas químicas e biológicas em conflitos armados internacionais. Além disso, vários países apresentaram reservas ao tornarem-se Parte do Protocolo de Genebra, declarando que apenas consideravam as obrigações de não-uso de armas como aplicáveis às outras Partes e que essas obrigações deixariam de se aplicar se as armas proibidas fossem usadas contra eles.

A BWC foi um considerável passo em frente, no sentido do desarmamento e da preservação da paz, e permanece em vigor até aos dias de hoje. A Convenção, no entanto, falha gravemente pela falta de um procedimento de verificação que monitorize o cumprimento das disposições do acordo. Essa falha, sendo um motivo de preocupação, levou a um processo de negociação iniciado em 1990. Entretanto, desde 1980, que se vinham realizando conferências quinquenais de revisão da Convenção, mas até hoje não foi alcançado nenhum acordo sobre um mecanismo de monitorização do cumprimento do acordo.

Entre 1995 e 2001 as negociações incidiram sobre um protocolo de verificação internacionalmente vinculativo para a Convenção, num fórum conhecido como Grupo Ad Hoc. Em 25 de Julho de 2001, no entanto, o processo foi efectivamente condenado quando o governo Bush, após uma revisão da política sobre armas biológicas, decidiu que o protocolo proposto não servia os interesses nacionais dos Estados Unidos[8].

A próxima conferência de revisão está marcada para Genebra no final de 2021. Em 1986, acordou-se no princípio da submissão voluntária às Nações Unidas pelos Estados Partes de relatórios anuais sobre as chamadas Medidas de Reforço de Confiança. Na verdade, apenas metade dos signatários da Convenção têm enviado esses relatórios anuais[9].

O artigo 1º da BWC tem a seguinte redacção:
“Cada Estado Parte desta Convenção compromete-se a nunca, em nenhuma circunstância, desenvolver, produzir, armazenar ou adquirir ou reter:

  • (1) agentes microbianos ou outros agentes biológicos, ou toxinas, independentemente da sua origem ou método de produção, de tipos e quantidades que não tenham justificação para fins profiláticos, de protecção ou pacíficos;
  • (2) armas, equipamentos ou meios de entrega projectados para usar esses agentes ou toxinas para fins hostis ou em conflito armado “.

As disposições do Artigo 1º têm sido clarificadas no decorrer das mencionadas Conferências de Revisão, por forma a incluir todos os futuros desenvolvimentos científicos e tecnológicos relevantes para a Convenção. Esta clarificação é particularmente significativa, tendo em vista o rápido desenvolvimento de técnicas e métodos que tiram partido de novos conhecimentos científicos, geralmente envolvendo diferentes disciplinas, que podem ser usados para fins não-pacíficos, i.e. que podem ser aplicados em armas.

E como garantir que a finalidade do agente biológico ou da toxina – substância venenosa produzida em células vivas ou organismos – seja profilática ou protectora, ou tenha outra finalidade pacífica? Como determinar que a quantidade retida é consistente com o objetivo proclamado?

Além disso, é possível interpretar as disposições da Convenção como banindo a criação de arsenais biológicos e proibindo a investigação biológica de carácter ofensivo, mas permitindo a investigação com fins defensivos. O programa da DARPA “Insectos Aliados”, lançado em 2016, foi descrito como de “desenvolvimento de contra-medidas escaláveis, podendo ser prontamente mobilizadas e generalizadas, em resposta a ameaças potenciais ao abastecimento de produtos alimentares, ameaças naturais ou criadas artificialmente, com vista à protecção do sistema de culturas dos EUA”[10]. A referência a “ameaças criadas artificialmente ” alarga o âmbito de possíveis propósitos para incluir acções defensivas contra “ameaças introduzidas por actores estatais ou não-estatais“. Esse seria um objectivo permitido. No entanto, o programa suscita entre os membros da comunidade científica internacional preocupações sobre o possível uso indevido para fins de guerra biológica. Na opinião do Dr. Guy Reeves, investigador doutorado em genética, do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva, na Alemanha, e um dos autores de um relatório crítico do Programa “Insectos Aliados”[11] (citação): “Em 30 segundos e com um pouco de imaginação, não há nada que não possam imaginar que um vírus geneticamente modificado possa fazer, principalmente se esse vírus tiver a capacidade de distinguir uma espécie no meio ambiente e alterá-la geneticamente” [12].

O interesse dos militares em possíveis avanços tecnológicos de “utilização dual” na área da biologia aplicada está bem documentado. Apesar da ratificação da Convenção sobre Armas Biológicas, na ausência de acordo sobre um mecanismo de conformidade, a ameaça de guerra biológica permanece. De acordo com um recente relatório norte-americano sobre o estado da Segurança Nacional de Biodefesa[13], Rússia, China, Coreia do Norte, Irão e Síria[14], continuam envolvidos em actividades de dupla utilização ou de armas biológicas. Outras fontes referem que Israel, o Reino Unido e a França também poderão estar envolvidos em tais actividades.

É importante observar que a biossegurança, a todos os níveis, nacional ou global, pode ser posta em perigo não apenas pela guerra biológica e pelo bioterrorismo, mas também por acidentes em laboratórios com agentes patogénicos perigosos. Uma fonte de sérias preocupações é o facto de a síntese de agentes patogénicos mortais ser possível através de novos desenvolvimentos da biologia sintética[15]. Uma vez que o campo da biologia sintética “inclui a arte e a ciência da construção de genomas virais”, será possível, por exemplo, criar em laboratório o vírus da varíola que foi erradicado da natureza[16]. As únicas amostras conhecidas do vírus, responsável por 300 milhões de mortes apenas no século XX, estão ou foram mantidas em duas instalações de alta-segurança, nos Estados Unidos e na Rússia.

Neste contexto, é apropriado citar o aviso do bioquímico do MIT, Kevin Esvelt, de que “técnicas avançadas de assemblagem de ADN e o conhecimento das suas capacidades, tornaram possíveis vírus pandémicos amplamente acessíveis a actores não-estatais”[17].

A manipulação de agentes biológicos é realizada em instalações de alta segurança, das quais um número significativo é operado por militares ou em agências de segurança nacional. De acordo com uma publicação de Jeremy Patterson no site da Arms Control Association, o Centro Nacional de Análises e Contramedidas de Biodefesa do Departamento de Segurança Interna dos EUA “conduziria investigação de avaliação de ameaças, um tipo controverso de investigação biológica em que novos tipos de armas biológicas são produzidos por investigadores para determinar a sua potencial viabilidade e como será possível defender-se contra elas”. Segundo o autor, alguns especialistas externos afirmam que à luz das disposições da Convenção sobre Armas Biológicas este tipo de investigação é de legalidade duvidosa[18].

Cientistas com fatos de protecção pessoal de pressão positiva num laboratório de alta segurança (BSL-4)
“The NIAID Integrated Research Facility in Frederick, Maryland”
Courtesy: National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Nos EUA, o número dos Laboratórios de Biossegurança de Nível 4 (BSL-4) aumentou de 5 para 15 entre 2001 e 2007. Actualmente, em todo o mundo, o número total de laboratórios de BSL-4 cuja existência é declarada é 53. Várias fontes dão a entender que o número real é maior.

Alguns anos atrás, declarações de autoridades de alto nível da Federação Russa acusaram os EUA de “cercar a Rússia de laboratórios de armas biológicas[19] localizados secretamente. Uma referência especial foi feita a um “laboratório clandestino de armas biológicas na Geórgia, supostamente desrespeitando as convenções internacionais e representando uma ameaça directa à segurança da Rússia[20]. Estas acusações são repudiadas pelas autoridades americanas[21].

Recordando a posição do presidente George W. Bush, de 2001, de recusar o proposto protocolo de verificação internacionalmente vinculativo da Biological Weapons Convention, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, numa sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento, em Genebra, acusou os EUA de “continuarem a bloquear todos os esforços para criar um mecanismo de verificação para a Convenção sobre Armas Biológicas de 1972, que entrou em vigor em 1975, enquanto criam o seu próprio mecanismo de segurança para a guerra biológica[22].

No caso dos EUA, segundo várias fontes, o interesse nas aplicações militares de agentes biológicos e químicos tem uma longa história de consequências trágicas. Larry Romanoff[23], num artigo recente, escreve que “o governo dos EUA e as suas muitas agências e instituições de ensino e saúde conduzem, há muitas décadas, intenso trabalho de investigação sobre guerra biológica, em muitos casos fortemente focado em agentes patogénicos de especificidade étnica“.

No ano 2000, num relatório produzido para o “Projecto para o Novo Século Americano” intitulado “Reconstruindo as defesas da América”, os autores declararam: “Formas avançadas de guerra biológica em que são ‘visados’ genótipos específicos podem transformar a guerra biológica… numa ferramenta politicamente útil[24].

É do conhecimento geral que existem bancos de dados de ADN tanto públicos como privados em vários países, sendo os maiores os bancos de dados nacionais de ADN. Um banco de dados nacional de ADN é um banco de dados de ADN mantido pelo governo para armazenar perfis de ADN da sua população. Geralmente são usados para fins forenses, que incluem a investigação e a correspondência de perfis de ADN de possíveis suspeitos de crimes. A definição de “suspeito de crime” deixa uma larga margem de interpretação que pode ser explorada pelas agências policiais e de segurança para fins contrários ao bem comum.

Actualmente, perfis de ADN de centenas de milhares e até milhões de indivíduos que foram colhidos, nem sempre com justificação clara, estão armazenados em bancos biológicos. O maior banco de dados de ADN existente encontra-se supostamente nos EUA. O Departamento de Defesa mantém um banco de dados de ADN com mais de 50 milhões de registos[25].

No decorrer da última década, várias fontes divulgaram notícias preocupantes sobre um interesse renovado das forças armadas em recolher amostras de ADN, directamente ou por “procuração”[26], em países estrangeiros. Embora seja difícil estabelecer detalhes ou veracidade dos casos relatados, é facto que, pelo menos no caso da Federação Russa, foram levantadas suspeitas ao mais alto nível de responsabilidade oficial.

Em Julho, o Air Education and Training Command das Forças Aéreas dos Estados Unidos lançou um concurso no FedBizOpps, um site do governo dos EUA, com vista a adquirir amostras de ácido ribonucleico (RNA) e de líquido sinovial dos Russos. Todas as amostras – 12 de RNA e 27 de líquido sinovial – “devem ser colhidas na Rússia e devem ser de caucasianos”, constava da proposta. A fonte acrescenta que “o que exactamente se entende por ‘caucasiano’ está aberto a interpretação“. De qualquer maneira, a proposta da Força Aérea é citada como dizendo explicitamente que não seriam consideradas amostras de tecidos (orgânicos) da Ucrânia. Além das amostras, também se requeriam informações sobre “sexo, idade, etnia, peso, altura e historial médico do doador[27].

Outra fonte refere que “(…) durante uma reunião do Conselho para o Desenvolvimento da Sociedade Civil e dos Direitos Humanos, o Presidente Putin questionou a intenção por trás da colheita, por agentes estrangeiros, de material biológico de diferentes grupos étnicos russos[28].[29]

No que diz respeito à China – outro “inimigo de estimação” dos EUA – uma fonte afirma sem rodeios que ” (…) universidades e ONGs americanas foram à China especificamente para fazer experiências biológicas ilegais (…). A Universidade de Harvard, um dos principais actores neste escândalo, roubou amostras de ADN de centenas de milhares de cidadãos chineses, saiu da China com essas amostras e continuou a investigação biológica ilegal nos Estados Unidos[30].

O Presidente George W. Bush assina o USA PATRIOT ACT (26 de Outubro de 2001)

Em 1989, um ano antes do início das negociações com vista a um protocolo de verificação internacionalmente vinculativo para a BWC, acima referida, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei Anti-Terrorismo de Armas Biológicas (BWATA, do inglês Bioweapons Anti-Terrorism Act) para pôr em prática a Convenção. A Lei, que aplica as disposições da Convenção a países e a cidadãos particulares e criminaliza violações à Convenção, não foi feita exclusivamente para uso interno. A BWATA foi alargada duas vezes, separadamente, através da implementação de novas leis. O alargamento mais recente está incorporado no chamado USA Patriot Act, adoptado em 2001, no rescaldo do desastre do World Trade Center e do episódio das cartas contendo Antraz[31].

Carta contendo esporos de Antraz enviada ao Senador Daschle (9 de Outubro 2001)
Esporos do Bacillus anthracis. Imagem de microscopia electrónica de varrimento Credit: J.H. Carr, Centers for Disease Control and Prevention

 

Vírus SARS-CoV-2. Imagem de microscopia electrónica de transmissão
Credit: NIAID-RML, Creative Commons Attribution 2.0 Generic

A Lei Antiterrorismo de Armas Biológicas (BWATA), de 1989, foi elaborada pelo professor de direito internacional da Universidade de Illinois, Francis A. Boyle. Francis A. Boyle é o autor de “Guerras Biológicas e Terrorismo“, publicado em 2005[32]. Foi citado como “lançando o alerta”[33] sobre os ataques com Antraz nos EUA após a tragédia do 11 de Setembro, declarando que “acredita que o Antraz teve origem nos laboratórios americanos BSL-4 (Biossegurança de Nível 4)“. Numa entrevista recente[34], o Dr. Boyle discutiu o surto do coronavírus em Wuhan, China, e o laboratório BSL-4, do qual ele acredita que a doença infecciosa, de forma não deliberada, escapou. Na transcrição da entrevista, é citado como acreditando que “o vírus é potencialmente letal e é uma arma de guerra biológica ofensiva ou um agente biológico de uso duplo modificado geneticamente com acréscimo de propriedades funcionais, razão pela qual o governo chinês originalmente tentou encobri-lo e neste momento está a tomar medidas drásticas para o conter ”.

Como refere Lynn C. Klotz, um membro de longa data do “Grupo de Trabalho de Cientistas sobre Armas Químicas e Biológicas[35], citando The Bioweapons Monitor[36], “dar cumprimento à proibição (de armas biológicas) é mais do que verificar a ausência de armas biológicas. Talvez para além disso o mais importante seja verificar a natureza pacífica de actividades que possam contribuir para o desenvolvimento de armas biológicas.” O autor acrescenta que “o Monitor demonstrou que cientistas políticos e diplomatas têm consistentemente argumentado que os regimes multilaterais de controlo de armas necessitam de transparência para ser eficazes. A transparência serve para dar confiança que outros países não estão a realizar trabalho ilícito. O sigilo excessivo de actividades no campo biológico, principalmente se realizadas em instalações militares, pode levar a interpretações erradas e suspeitas, e pode levar a uma nova corrida às armas biológicas.” (fim de citação)  

É, em nossa opinião, imperativo, que na próxima conferência de revisão da Convenção sobre Armas Biológicas, programada para ocorrer em Genebra no final de 2021, sejam retomadas as negociações para um protocolo de verificação internacionalmente vinculativo para a Convenção sobre Armas Biológicas.

Frederico Carvalho
5 de Março 2020
Revisto: 13 Abril 2020

[1] “Um novo sistema de armas biológicas?”, Frederico Carvalho, Fevereiro 22, 2019 https://otc.pt/wp/2019/02/22/um-novo-sistema-de-armas-biologicas/ Versão inglesa: “Insect Alies ― A New Bioweapon System?” https://otc.pt/wp/2019/02/22/a-new-bioweapon-system/
[2] GT 3 – “Paz, Desarmamento e Cooperação”, FMTC, 89ª Reunião do Conselho Executivo. Paris, 29-30 Abril 2019.
[3] Rebeldes nórdicos, abastecidos pelo Estado-Maior Alemão, usaram antraz contra o Exército Imperial Russo na Finlândia em 1916. Em 1978-79, o governo Rodesiano usou antraz contra humanos e gado durante a sua campanha contra rebeldes. Em 2001, uma semana após a destruição dos prédios do World Trade Center, cartas com esporos de antraz foram enviadas pelo correio a vários destinatários nos EUA. Cinco pessoas foram mortas e 17 adoeceram.
Em 1763, a varíola foi usada pelas forças britânicas na América do Norte, contra tribos rebeldes de índios. Os nativos que nunca tinham sido expostos à doença e não tinham imunidade foram dizimados em grande escala. Os britânicos também o usaram contra os americanos durante a Guerra Revolucionária Americana (1775-83).
[4] Cf. “The history of biological warfare”, Friedrich Frischknecht, EMBO Rep. 2003 Jun; 4(Suppl 1): S47–S52
Após a guerra, os soviéticos condenaram por crimes de guerra alguns dos investigadores japoneses envolvidos na guerra biológica, mas os EUA concederam liberdade a todos os investigadores em troca de informações sobre as suas experiências com seres humanos. Assim, criminosos de guerra voltaram a ser cidadãos respeitados e alguns fundaram empresas farmacêuticas. O sucessor de Ishii, Masaji Kitano, chegou a publicar artigos de investigação no pós-guerra sobre experiências com seres humanos, substituindo ‘humano’ por ‘macaco’ quando se referia às experiências na China nos tempos de guerra.
[5] Cf. http://www.unog.ch/bwc
[6] O Estado de Israel não é, notoriamente, parte da Convenção.
[7] Em Julho de 2019, 142 estados ratificaram, aderiram ou acederam ao Protocolo de Genebra, mais recentemente a Colômbia, em 24 de novembro de 2015.
[8] Cf. “Why Bush Is Right to Reject a Defective B.W.C. Protocol”, July 30, 2001Center for Security Policy
[9] https://en.wikipedia.org/wiki/Biological_Weapons_Convention#Verification_and_compliance_issues
[10] https://www.darpa.mil/program/insect-alliesOs insectos alimentam-se de plantas e os insectos transmitem a maioria dos vírus às plantas. (…) A DARPA planeia tirar partido deste sistema natural através da manipulação genética de vírus das plantas que podem ser transmitidos por insectos para conferir características de protecção às plantas-alvo das quais se alimentam.”
Ver também Ref.1
[11]Agricultural research, or a new bioweapon system?”, R. G. Reeves , S. Voeneky , D. Caetano-Anollés , F. Beck , C. Boëte, Science 05 Oct 2018, Vol. 362, Issue 6410, pp. 35-37
[12] https://www.sciencemag.org/news/2018/10/crop-protecting-insects-could-be-turned-bioweapons-critics-warn
[13]NATIONAL BIODEFENSE STRATEGY, Additional Efforts Would Enhance Likelihood of Effective Implementation”, Report to Congressional Committees, GAO-20-273 United States Government Accountability Office, February 2020.
[14] A Síria assinou, mas não ratificou, a Convenção sobre Armas Biológicas. Os outros Estados mencionados são partes da Convenção.
[15] A biologia sintética é uma área de investigação multidisciplinar que procura criar novos componentes biológicos, dispositivos e sistemas ou redesenhar sistemas já encontrados na natureza.
(https://en.wikipedia.org/wiki/Synthetic_biology#Definition)
[16] Em 2017, o virologista David Evans conquistou as manchetes quando usou a biologia sintética para recriar o extinto vírus da varíola equina, que está intimamente relacionado com o vírus que causa a varíola, uma doença erradicada em 1980. Cf. “A biotech firm made a smallpox-like virus on purpose. Nobody seems to care”, Gregory D. Koblentz, The Bulletin of Atomic Scientists , February 21, 2020
[17]Inoculating science against potential pandemics and information hazards”, Kevin M. Esvelt , PLOS, October 4, 2018 (https://doi.org/10.1371/journal.ppat.1007286)
[18]Weapons Labs Biological Research Raises Concerns”, Jeremy Patterson, Arms Control Today, Vol.38, March 2008 (https://www.armscontrol.org/act/2008-03/weapons-labs-biological-research-raises-concerns)
[19] Declaração do Ministro dos Negócios Estrangeiros, RT-News, Jun 11 2015, (https://on.rt.com/g6nx37)
[20] Russian Defense Ministry Press Service Via Associated Press, citado no The Star Advertiser: “Russia claims U.S. running secret bioweapons lab in Europe”, Oct. 4, 2018
[21] Cf. “The Russian disinformation attack that poses a biological danger”, Filippa Lentzos, The Bulletin of Atomic Scientists, November 19, 2018
[22] RT-News, February 28, 2018 (https://on.rt.com/903c)
[23] https://www.osentinela.org/author/larry-romanoff/
[24] https://archive.org/stream/RebuildingAmericasDefenses/RebuildingAmericasDefenses_djvu.txt
[25] https://en.wikipedia.org/wiki/ADN_database#National
[26] Em inglês: “by proxy parties”
[27]Putin: Someone is harvesting Russian bio samples for obscure purposes”, RT-News, Oct.31, 2017
(https://www.rt.com/news/408274-putin-bio-samples-harvesting/)
[28] “What Does Putin Know About Us Plans For Anti-Russian Bioweapon?”, TruNews, Oct 31, 2017
[29] Num artigo recente, o Dr. Paul Craig Roberts, director do Institute for Political Economy, escreve: “Chegaram-me informações da Itália, da Alemanha e do Reino Unido de que ONGs estrangeiras na Rússia estão a colher amostras de ADN russo, por toda a Rússia para o governo dos EUA. Encontrei confirmação em língua inglesa desses relatórios.Qual a razão do interesse do governo dos Estados Unidos em estudar amostras de ADN da Rússia? O que imediatamente vem à mente é uma arma biológica sob medida que só atinge os russos. Washington evitou restrições impostas ao trabalho com armas biológicas, operando laboratórios em África”.
(https://www.paulcraigroberts.org/2017/11/01/washingtons-barbarity-reaches-new-heights/)[30] https://www.zerohedge.com/geopolitical/us-world-leader-bio-weapons-research-production-use-against-mankind
[31] O USA Patriot Act é descrito como “uma lei para evitar e punir actos terroristas nos Estados Unidos e em todo o mundo, aperfeiçoar ferramentas de investigação policial e para outros fins“.
[32]Biowarfare and Terrorism”, Francis A. Boyle, 2005, Ed. Clarity Press. Inc.
Excerto de uma breve sinopse publicada no site da Amazon (https://www.amazon.com/Biowarfare-Terrorism-Francis-Boyle-ebook/dp/B001FB6II6):
Este livro analisa o contexto histórico da legislação, da política e da ciência por detrás das armas biológicas nos Estados Unidos: como e porquê o governo dos Estados Unidos iniciou, manteve e depois expandiu dramaticamente uma corrida armamentista biológica ilegal com consequências potencialmente catastróficas para a espécie humana e a sua biosfera de suporte neste frágil planeta Terra ”. Em “Silêncio Mortal: Medo e Terror no Trilho do Antraz” Ed. Counterpoint, Berkeley, publicado em 2009, os autores Bob Coen and Eric Nadler, referem-se a Francis Boyle como “um decidido opositor da investigação e desenvolvimento para a guerra biológica”.
[33]blowing the whistle’, na expressão inglesa.
[34]Creator Of US Bioweapons Act Says Coronavirus Is Biological Warfare Weapon”, Tyler Durden, ZeroHedge, February. 4, 2020 (https://www.zerohedge.com/health/creator-bioweapons-act-says-coronavirus-biological-warfare-weapon)
[35]The Biological Weapons Convention protocol should be revisited”, Lynn C. Klotz, The Bulletin of the Atomic Scientists, November 15, 2019 (https://thebulletin.org/2019/11/the-biological-weapons-convention-protocol-should-be-revisited/)
[36] http://www.bwpp.org/documents/BWM%202011%20WEB.pdf

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