Por uma ONU verdadeiramente democrática

     

Fortalecer uma ONU verdadeiramente democrática — Antes que seja tarde demais
Sudão, Ucrânia, Gaza, Venezuela — o que virá a seguir?

Fundada em 1946, a Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (FMTC) foi criada para garantir que a ciência e a tecnologia sirvam a paz e o bem‑estar de todos. Hoje, esse propósito fundador encontra‑se sob ameaça directa.

O poder científico e tecnológico cresceu a níveis sem precedentes, enquanto a sabedoria política e o controlo democrático não acompanharam esse crescimento. Os conflitos armados estão a alastrar-se, os sistemas ecológicos estão a entrar em colapso e a humanidade está a aproximar-se de um ponto sem retorno. O problema não é falta de conhecimento, mas sim falta de cooperação.

O corpo humano mostra‑nos o que significa cooperar. Células especializadas só sobrevivem quando trabalham em conjunto. Quando uma minoria de células procura a dominação, aparece o cancro e o organismo morre. A mesma lógica aplica‑se às sociedades e ao sistema mundial: o poder descontrolado e o interesse próprio não são força — são patologia.

Após a Segunda Guerra Mundial, a humanidade comprometeu‑se a “nunca mais” e construiu as Nações Unidas para prevenir uma catástrofe global. Essa promessa está agora a ser traída. Uma pequena minoria oligárquica, protegida da fiscalização democrática e perita em manipular a opinião pública, persegue a dominação à custa do bem comum. Esta estratégia pode render ganhos a curto prazo, mas é irracional e suicida numa escala planetária.

O perigo hoje é existencial. As armas nucleares, os sistemas de morte autónomos, a ciberguerra, os drones guiados por IA e a militarização do espaço transformaram a guerra numa potencial ameaça de extinção. A inteligência artificial pode ter aprendido com videojogos, mas a humanidade não terá uma segunda vida depois do “fim do jogo”.

Eventos recentes confirmam uma tendência preocupante: poderes oligárquicos que actuam acima da lei, fora de qualquer responsabilidade democrática e em aberto desrespeito pelas Nações Unidas. A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela é um desses actos. Viola a Carta das Nações Unidas, atropela o direito internacional e ignora a vontade tanto do povo venezuelano como dos cidadãos dos próprios Estados Unidos. É uma acção fora da lei, indigno de qualquer Estado que se proclame democraticamente legítimo. O Presidente dos EUA anuncia mais ataques à Gronelândia e a Cuba, reforçando outras intervenções militares como as da Síria e do Congo.

A FMTC rejeita categoricamente todas as tentativas de mudança de regime pela força ou por interferência estrangeira. O futuro da Venezuela pertence unicamente ao povo venezuelano e deve ser decidido por meios pacíficos e democráticos, sem tutela imperial.

Não existem soluções locais num mundo globalmente interligado. O confronto acelera o colapso; a cooperação é o único caminho racional para avançar. Por esta razão, a FMTC apela a cientistas, trabalhadores, sindicatos e à sociedade civil em todo o mundo para se mobilizar por uma transformação da governação global vinda de baixo para cima.

Uma Organização das Nações Unidas verdadeiramente democrática não é uma utopia. É uma necessidade de sobrevivência.

O Conselho Executivo da FMTC
11 de Fevereiro de 2026

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Tradução do inglês: Joana Santos
Revisão: Frederico Carvalho

Créditos da imagem de topo
UN AG — Basil D Soufi, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
UN Emblema — Miguel Á. Padriñán via Pixabay

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Documento PDF (Inglês – Francês – Espanhol – Português): 260223 ONU (EN_FR_ES_PT)
Artigo na página institucional da FMTS-WFSW:
EN: https://fmts-wfsw.org/2026/03/strengthen-a-truly-democratic-united-nations/?lang=en 
FR: https://fmts-wfsw.org/2026/03/renforcer-une-organisation-des-nations-unies-vraiment-democratique/