“A necessária transição energética: do fóssil, às renováveis, passando pelo nuclear civil. Realidades e ficção”
14 de Janeiro de 2026 | 17:00
Anfiteatro Abreu Faro – Complexo Interdisciplinar – IST (Alameda)
A próxima Mesa-Redonda da OTC – Organização dos Trabalhadores Científicos vai realizar-se no dia 14 de Janeiro de 2026, no Anfiteatro Abreu Faro, localizado no Complexo Interdisciplinar do IST – Instituto Superior Técnico (Alameda), entre as 17h00 e as 19h00.
O tema é:
“A necessária transição energética: do fóssil às renováveis, passando pelo nuclear civil. Realidades e ficção”
A questão da transição energética coloca-se nos nossos dias com particular acuidade. A sua necessidade é em larga medida consensual, com excepções de algum modo ligadas a interesses particulares protagonizados por grandes corporações dedicadas à extracção e distribuição de combustíveis fósseis e beneficiárias de apoios políticos em regra não declarados. Mais raras e claramente aberrantes são as posições políticas de expressa negação do fenómeno das alterações climáticas considerado como ameaça existencial maior pela comunidade dos especialistas que há décadas se debruçam sobre o assunto.
Na opinião do cientista do clima e geofísico Michael Mann, autor do famoso “hockey stick graph”, depois do que se desenha como mais um ano recorde de ondas de calor, secas, incêndios florestais e furacões, “os obstáculos para manter o aquecimento global abaixo de níveis catastróficos não são físicos nem tecnológicos; são quase inteiramente
políticos. Consequentemente, podem ser corrigidos — se os obstáculos políticos puderem ser ultrapassados.”
Para situarmos a questão que importa debater, convém recordar que o consumo de combustíveis fósseis no mundo cresceu quase 70% entre 1995, ano da primeira COP, e 2024, ano da 29ª Conferência das Partes.
O crescimento dos consumos de electricidade merece particular destaque. Assim o consumo total final de electricidade no mundo praticamente duplicou nos últimos dez anos. Não é provável que o ritmo desse crescimento diminua nos próximos anos nem certamente desejável, se se tiver em conta que cerca de 800 milhões de pessoas não têm ainda acesso à electricidade, designadamente em África e na América Latina.
Entretanto cerca de 2/3 da produção tem origem em “fontes sujas” o que é naturalmente incompatível com os ODS das Nações Unidas, designadamente, assegurar o acesso a energia limpa (ODS 7). As energias renováveis no seu conjunto asseguravam em 2024, a nível global, 1/3 da electricidade gerada. Por grande região, em 2024, pode dizer-se que a situação mais favorável era a da União Europeia, onde as renováveis (cerca de 50%) em conjunto com a electricidade de origem nuclear (cerca de 25%) cobriam ¾ do consumo.
Que caminhos seguir
À partida parece legítimo dizer que os ODS das Nações unidas não poderão ser atingidos sem uma alteração profunda da situação geopolítica mundial que se traduza num diferente equilíbrio de forças, permitindo que cooperação se substitua a competição entre Estados. Em especial no que toca a livre circulação das ideias e à partilha dos avanços científicos e tecnológicos, hoje sujeita a importantes constrangimentos.
Relativamente às várias fontes de energia actualmente exploradas ou que se perspectiva poderem vir a ser exploradas num futuro não excessivamente distante, bem como às infra-estruturas técnicas que lhes estão associadas, e também requisitos tecnológicos, financeiros e sociais, colocam-se questões que importa analisar.
- A componente de energias renováveis no balanço energético global é insuficiente:
qual a natureza dos principais obstáculos que se colocam ao seu incremento nas condições actuais do mundo. - Que obstáculos se levantam no caminho para uma substancial redução do recurso aos combustíveis fósseis na produção de bens e serviços.
- Olhando para as duas décadas mais próximas, qual o papel que pode ser atribuído à energia nuclear de cisão no caminho para a necessária transição energética.
- A perspectiva da fusão nuclear.
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A Mesa-Redonda contará com a participação de quatro oradores convidados. Após as intervenções iniciais, haverá, como habitualmente, um espaço de debate com a assistência.
Oradores Convidados:
- Frederico Gama Carvalho, Investigador Coordenador (aposentado), Departamento de Ciências e Engenharia Nucleares, Polo de Loures do IST, Presidente da Direcção da OTC, Vice-Presidente do Conselho Executivo da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (World Federation of Scientific Workers), membro cooptado do Conselho Geral da Universidade de Lisboa (2021-2025).
- Joana Portugal Pereira, Professora Auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. Profa Adjunta do Programa de Planejamento Energético do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil, e Investigadora do Centro de Inovação, Tecnologia e Pesquisa Política (IN+).
- Francisco Ferreira, Professor Associado do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-NOVA) e investigador do CENSE (Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade).
- António M. Vallêra, Professor Catedrático Emérito, Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, investigador colaborador externo do Instituto Dom Luís.
Moderação:
Ana Maria Almeida e Silva, Professora Associada (aposentada) da Universidade de Évora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da OTC.
O evento vai ser gravado!
Cartaz: https://otc.pt/wp/wp-content/uploads/2026/01/Cartaz_MR_Transicao-Energetica.png
Programa: PROGRAMA-Mesa-Redonda Jan 2026
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MESA-REDONDA: “A necessária transição energética: do fóssil, às renováveis, passando pelo nuclear civil. Realidades e ficção”
Participação livre, presencial ou por videoconferência.
LINK: em breve
DATA: 14 de Janeiro de 2026 | 17:00
LOCAL: Anfiteatro Abreu Faro, localizado no Complexo Interdisciplinar do Instituto Superior Técnico (Alameda) (edifício 26 no mapa do campus).
Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa
Como chegar: https://maps.app.goo.gl/EzCyxb1UojEGcBMWA
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